Às vezes acordo, tenho certeza, às vezes acordo, tenho dúvidas. Às vezes nem quero acordar, às vezes nem consigo dormir. Às vezes os sonhos são bons, mas tão bons, que desejo sonhar pra sempre, mas às vezes, sonhar cansa, e quero o presente. Às vezes penso que sou o rei, que sou foda, às vezes vejo que não sou nada. Às vezes acho que algo é a melhor coisa que pode existir, depois enjoo. Às vezes quero estar entre muitos ao meu redor, às vezes só o que quero é ficar sozinho. Às vezes penso que alguém é ideal, depois vejo que não era. Às vezes quero matar, minutos depois, vejo que seria incapaz de viver sem aquela pessoa. Às vezes penso em fugir, depois penso que não há pra onde ir. Às vezes quero morar sozinho, mas logo, um tempo longe, sinto falta, muita falta. Às vezes não sei o que pensar, às vezes penso demais. Às vezes reclamo muito, às vezes, muito às vezes, agradeço. Às vezes quero dizer, desabafar, mas às vezes, quase sempre, não tenho coragem. O que sempre, não às vezes, acontece, é eu esconder isso tudo, minhas dúvidas, incertezas e medos, de todos, absolutamente todos. Mesmo sabendo que a maioria as tem, tenho vergonha de ser assim, de ser confuso, de não ser confiante, por isso invento uma máscara, a máscara da certeza, e assim vivo, demonstrando convicção, e escondendo a dúvida.
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