quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Trecho - O Vendedor de Sonhos

-Quero vender-lhe uma vírgula.
-Uma vírgula? - perguntei eu, pasmo. E ele completou:
-Sim, uma vírgula para que continue a escrever seus textos, pois um homem sem vírgulas é um homem sem história.
A partir desse momento, meus olhos se abriram. Descobri que sempre usara a teoria dos pontos finais em minha história e não a teoria das vírgulas. Alguém me frustrava? Eliminava-o, colocava um ponto final no relacionamento. Alguém me feria? Anulava-o. Enfrentava um obstáculo? Mudava de trajetória. Meu projeto estava com problemas? Substituía-o. Sofria uma perda? Virava as costas. (...)
Considerava-me um anjo, e os que me frustravam, demônios (...).
Quem elimina todos a seu redor um dia será implacável consigo mesmo. E esse dia chegara. Mas felizmente encontrei esse enigmático homem e entendi que é possível conviver, sem vírgulas, com cachorros, gatos e até com cobras, mas não com humanos. Frustrações, decepções, traições, injúrias, conflitos fazem parte do nosso cardápio existencial, pelo menos no meu e de quem conheço. E as vírgulas são imprescindíveis.

Augusto Cury

Um comentário:

Anônimo disse...

isssso mesmooooo